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Governo e oposição começam a negociar transição política e novas eleições na Venezuela

O governo interino da Venezuela e representantes da oposição iniciaram nesta quinta-feira (6), em Caracas, um diálogo mediado pelos Estados Unidos que pode a...

Governo e oposição começam a negociar transição política e novas eleições na Venezuela
Governo e oposição começam a negociar transição política e novas eleições na Venezuela (Foto: Reprodução)

O governo interino da Venezuela e representantes da oposição iniciaram nesta quinta-feira (6), em Caracas, um diálogo mediado pelos Estados Unidos que pode abrir caminho para uma transição política e para a realização de eleições no país. As negociações começaram sete meses depois da captura do presidente Nicolás Maduro em uma operação conduzida pelos Estados Unidos. Desde então, a presidente interina Delcy Rodríguez governa sob forte pressão de Washington. A líder da oposição María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, não participa das conversas. Apenas fotógrafos tiveram acesso ao início da reunião, realizada no Centro de Convenções da base militar de La Carlota. As conversas começaram com várias horas de atraso em relação ao horário previsto, e nenhuma das delegações fez declarações à imprensa. A delegação governista é chefiada por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão da presidente interina. "Tem início o diálogo com ex-deputados da oposição da Assembleia Nacional de 2015", escreveu Rodríguez em uma publicação no Telegram, acompanhada de fotos das duas delegações reunidas no local. Pela oposição, a delegação é liderada por Dinorah Figuera, ex-deputada que presidiu o grupo parlamentar oposicionista eleito em 2015, quando a oposição conquistou a maioria da Assembleia Nacional em um resultado que, à época, foi rejeitado pelo governo Maduro. "Hoje instalamos o processo que marcará o caminho para a democracia e a reinstitucionalização da Venezuela", escreveu Figuera na rede social X. Ao retornar à Venezuela na quarta-feira (5), após um período de exílio na Espanha, Figuera afirmou que as negociações buscam promover mudanças no Tribunal Supremo de Justiça, no Conselho Nacional Eleitoral e garantir a recuperação dos direitos civis e políticos dos venezuelanos. Estados Unidos é 'garantidor' Os EUA celebraram o início do diálogo. "Essas conversas diretas representam uma oportunidade única", afirmou o Departamento de Estado em comunicado. Segundo o governo americano, a estratégia para a Venezuela está dividida em três etapas: estabilização, recuperação econômica e reconciliação política. O início do diálogo gerou expectativa entre integrantes da oposição e familiares de presos políticos. Aliado próximo de María Corina Machado, Juan Pablo Guanipa afirmou no X que, desta vez, "existe, sim, um garantidor para assegurar que o chavismo cumpra sua palavra". "Esperamos que a Venezuela consiga o quanto antes a libertação de TODOS os presos políticos, novos poderes públicos e um cronograma eleitoral que inclua a eleição presidencial", escreveu, proclamando Machado "como candidata" à Presidência. 'Não são moeda de troca' Observadores afirmam que os EUA estão impedindo o retorno de María Corina Machado ao país, embora o governo americano negue essa informação. Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou o trabalho de Delcy Rodríguez e voltou a sugerir, em publicação na Truth Social, que a Venezuela poderia se tornar o 51º estado americano. A aproximação entre a Venezuela e os EUA também provocou reações entre setores da esquerda venezuelana, que criticam a mudança de postura do chavismo após 25 anos de discurso antiamericano. Em manifestações recentes, grupos de militantes entoaram palavras de ordem como "Nem colônia, nem tutela, a pátria não se entrega!" e "Gringo, go home", além de queimarem bandeiras dos Estados Unidos. Nesta quinta-feira, familiares de presos políticos pediram que Figuera priorize a libertação de seus parentes durante as negociações. "Os presos políticos não são moeda de troca. Pedimos a libertação imediata de todos os presos políticos", apelou à Figuera a irmã de um militar preso. Mayra Morales, de 40 anos, e dezenas de outras pessoas mantêm há 60 dias uma vigília em um acampamento instalado perto da embaixada dos EstadoEncontro ocorre sete meses após a captura de Nicolás Maduro; Washington diz que busca estabilização, recuperação econômica e reconciliação.s Unidos em Caracas. Eles exigem que o encarregado de negócios dos Estados Unidos, John Barrett, interceda pela libertação de seus familiares, mas ainda não foram recebidos pelo diplomata.

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